Reabilitação de presidiários através da dança
Famosos no mundo inteiro por suas coreografias, os presos
dançarinos do presídio filipino de Cebu, nas Filipinas, quebraram um
novo recorde ao interpretarem um dos números de dança de "This Is It", o
documentário que homenageia Michael Jackson.
Desta vez, 1.500 detentos vestidos com seus macacões laranja e seus
chinelos gastos de borracha encarnam em carne e osso o Exército
computadorizado que acompanha o rei do pop em "The Drill", o número
especial da música "They Don't Care About Us".
A coreografia, que termina com os internos fazendo um sinal de paz
gigante em homenagem ao artista no pátio do presídio, foi incluída nos
extras do DVD, lançado em janeiro.
No começo do ano, o próprio coreógrafo de Michael, Travis Payne,
viajou para as Filipinas para comandar os ensaios, realizados sob máximo
sigilo para evitar vazamentos.
Payne voltou aos Estados Unidos encantado com a atuação, que os
presos aprenderam sem problemas em apenas dois dias. Uma prévia oficial
do número foi postada no YouTube e foi assistida por quase 16 milhões de
internautas em apenas seis semanas.
A internet foi justamente o trampolim para a fama dos presos
filipinos, que em 2007 ficaram conhecidos em todo o mundo com sua
recriação da coreografia de "Thriller", de 1982.
O clipe provocou uma avalanche de repórteres e turistas ao presídio,
antes conhecido apenas pela violência das quadrilhas que atuavam dentro
de seus muros.
Entretanto, graças à nova fama dos presos, a prisão recebe cada vez
mais doações para modernizar suas instalações, onde uma vez ao mês há um
show cujos protagonistas são aplaudidos por seus admiradores como se
fossem autênticas estrelas do rock.
O responsável pela transformação é o chefe do presídio, Byron Garcia,
que teve a ideia de fazer os presos marcharem ao som de "Another Brick
In The Wall", do Pink Floyd. "Em princípio, era um experimento, algo que
queria provar em relação à reabilitação dos internos", conta Garcia à
Agência Efe.
Segundo ele, a dança é uma maneira de manter a política de
"disciplina com compaixão" sobre os detentos, que participam de maneira
voluntária desta particular companhia de dança quando se arrependem de
seus crimes "e aprendem a se comportar".
"É o primeiro programa de reabilitação em massa que funcionou com
sucesso fora de uma clínica, e eu gostaria de implantá-lo em escala
nacional e inclusive fora das Filipinas", afirma o chefe da prisão.
Os réus interpretaram números de inúmeros musicais e artistas, de
Elvis Presley a "Grease - Nos Tempos da Brilhantina", passando pela
"Macarena", do duo espanhol Los del Río.
No entanto, "Thriller" deixou o repertório em junho de 2009, quando
os detentos, entre lágrimas decidiram fazer a coreografia pela última
vez como uma despedida a Michael Jackson, que havia morrido naquele mês.
Os presos dançarinos são tão famosos que receberam ofertas para
participar de anúncios publicitários. Há rumores de que preparam uma
turnê por todo o país, mas Garcia insiste em que ninguém deve esquecer
que, por melhor que dancem, continuam sendo criminosos perigosos. "Não
estamos aqui para jogar, nosso objetivo é reinserir na sociedade estes
anjos caídos para que não retornem a ela como diabos", ressalta Garcia.
http://musica.uol.com.br/ultnot/efe/2010/03/03/michael-jackson-e-rei-em-presidio-nas-filipinas.jhtm


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